Motorista e Criança são enterrados no mesmo cemitério

Enterro

A menina de dois anos atropelada e morta por um caminhão na manhã desta sexta-feira (24) foi enterrada, na manhã deste sábado (25), no cemitério de Santa Inês, em Vila Velha, Grande Vitória. O motorista do caminhão de 51 anos, que foi linchado após o atropelamento, também foi enterrado no mesmo cemitério, à tarde.
Segundo testemunhas, a criança Ávila Fantine de Oliveira Borges brincava na rua enquanto a mãe estendia roupa no varal, na sexta-feira (24), no bairro Morada da Barra, em Vila Velha. O motorista de caminhão João Querino de Paula passou por cima da criança, que morreu na hora. Ao perceber, o motorista tentou fugir, mas foi perseguido pela população. De acordo com a polícia, o caminhoneiro correu mais de um quilômetro para fugir dos moradores. Alguns moradores esfaquearam o motorista até a morte e atearam fogo no caminhão. A polícia também informou que duas testemunhas, durante os depoimentos, contaram que o motorista não teve culpa pelo atropelamento.
Maria das Graças, tia da menina, contou que a família está muito abalada com a morte da criança. “Isso está doendo na família, está doendo demais. Estamos arrasados, não só pelo acidente da criança, mas pela brutalidade que o outro pai de família foi assassinado, porque não precisava de violência. Foi desnecessário”, disse.
O tio da criança foi preso, nesta sexta-feira, suspeito de participar do linchamento. Segundo o delegado Gianno Trindade, ele teria iniciado as agressões com golpes de enxada e depois jogado uma pedra de 20 quilos no caminhoneiro. O suspeito foi reconhecido por duas testemunhas, preso e foi levado para o Centro de Triagem de Viana.
Familiares e amigos do caminhoneiro também estavam abalados, mas preferiram não comentar sobre o assunto. O corpo dele foi velado na tarde deste sábado, na Primeira Igreja Batista de Aribiri, em Vila Velha.
Revolta da família do motorista
O cunhado do caminhoneiro disse que a família não aceita a forma como ele foi morto. “Às vezes essa justiça se torna uma injustiça. Foi realmente uma calamidade, uma coisa terrível. Eles acabaram com um pai de família”, disse Luiz Carlos Barbosa.
Atropelamento e morte
A mãe, inconsolável, contou que viu o momento que o caminhão atingiu a filha. “Eu vi tudo, estava estendendo roupas, mas vi tudo. Minha filha tinha pedido para ir na casa da tia, mas eu não deixei, então ela falou que iria encontrar outra menina na porta de casa e eu ainda disse para ela tomar cuidado na rua. O motorista estava correndo, se estivesse devagar não teria matado ela, e ainda estava falando no celular. Quando ele saiu do caminhão, ainda estava no telefone e me pediu desculpas, mas saiu correndo”, disse a mãe Adriana Oliveira, chorando.



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