Falta de médicos especialistas no interior do ES preocupa prefeituras

Medico especialista

A falta de médicos no interior do Espírito Santo têm preocupado moradores e prefeituras. De acordo com o Sindicato dos Médicos do estado, esse não é um problema exclusivo dos capixabas: esses profissionais se deparam com contratos precários e condições ruins de trabalho no interior e, por isso, dão preferência às regiões Metropolitanas.

No interior do Espírito Santo, faltam profissionais para atender ao Programa Saúde da Família e especialistas. A secretária de Saúde de Linhares, Maria de Fátima Biancardi, acredita que o salário não seja o problema, mas a relutância dos médicos em ir para o interior.
“Para o Programa Saúde da Família, hoje o município precisaria de mais 10 profissionais para atendimento nas unidades básicas. Mas, acima de tudo, precisamos de médicos que sejam especialistas. Essa é uma carência do município. Precisa-se de pediatras, psiquiatras, pneumologistas, entre outros. Para trabalhar com a Saúde da Família, os médicos ganham na faixa de R$ 8,5 mil para 40 horas semanais. Acredito que o salário não seja o problema, mas a dificuldade de ir para o interior. Quando o paciente precisa de um especialista e o município não consegue, temos que encaminhar para Vitória”, disse.
Com a falta de especialistas também na região Sul do estado, o prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, Carlos Casteglione, explicou que é necessário o transporte de pacientes para a Grande Vitória. “Temos o problema do transporte sanitário, uma questão que incomoda prefeitos de todo o Espírito Santo. Todas as madrugadas levamos esses pacientes para a região Metropolitana”, falou.
O presidente do Sindicato dos Médicos do Espírito Santo, Dr. Otto Batista, também esclareceu que os profissionais estão insatisfeitos com as condições de trabalho. “Há lugares que querem que médico trabalhe, mas não há nem aparelho de pressão. Os médicos mais novos, formados há pouco tempo, já tem uma ética profissional e se recusam a trabalhar nesses lugares. Outra situação é a realidade de cada município, pois essas áreas que faltam médicos são desprovidas de qualquer atenção dos gestores, e isso acaba desanimando os profissionais. Não é só com relação ao dinheiro, pois de que adianta ter o médico se não há as mínimas condições de trabalho, deve haver uma estrutura para atender bem a população”, explicou.
Dr. Otto Batista ainda salientou que os governos deveriam olhar de maneira especial para a Saúde, já que muitas gestões do interior não conseguem mantê-la em ordem. “Esse problema de falta de médicos já deveria ter sido resolvido há muito tempo. As prefeituras vivem uma situação ruim para manter a saúde do município. Deve ser enviada uma ajuda do governo estadual ou federal para que essa ‘engrenagem’ funcione, pois no momento ela está parada, estamos vivendo um verdadeiros caos”, disse.
Médicos de fora do país
Como alternativa para resolver a situação, o Conselho Federal de Medicina (CFM) entregou ao governo federal, nesta sexta-feira (24), uma proposta alternativa para suprir essa escassez, com a negociação do contrato de médicos estrangeiros para assegurar o atendimento básico de saúde em regiões pobres. Tal proposta motivou protestos em todo o país.

Em entrevistas sobre o tema, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que o governo avalia duas hipóteses, que não necessariamente se excluem: uma delas seria trazer o médico estrangeiro para o país e aplicar uma prova de revalidação de diploma, caso em que o profissional poderia atuar de forma ampla no mercado brasileiro, dentro de suas especialidades; a outra é conceder uma autorização especial para o médico estrangeiro atuar especificamente na atenção básica e em municípios carentes.
Para o deputado federal Lelo Coimbra (PMDB-ES), um bom resultado na prova de revalidação é necessário para o exercício da profissão no Brasil. “Os brasileiros que fizeram medicina fora do país e os estrangeiros que querem trabalhar no Brasil precisam fazer um prova, para ver se fizeram todas as disciplinas que são feitas nas faculdades de medicina do país. Isso é o que diz a lei, é a chamado Revalida. Durante os anos de 2007 e 2008 essa questão foi discutida de maneira intensa, pois muitos que se formaram na Escola Latino-Americana de Cuba estavam vindo para o Brasil, independente do Revalida, para atuar profissionalmente. Quem vem para o país deve fazer aferição de currículo do conhecimento na área da saúde. Dos 882 alunos brasileiros que estudaram na escola em cuba e fizeram o Revalida em dezembro do ano passado, apenas 70 foram aprovados, então a qualidade dessa formação é questionada, pois esse profissional deve ser qualificado. Sem isso, vamos oferecer uma falsa segurança à população”, disse.



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