40% dos assassinatos são por motivos fúteis

Violencia

Você mataria alguém por causa de um esbarrão? E por causa de uma briga no trânsito, uma discussão com o vizinho, uma traição da pessoa amada? Triste é saber que o que para muita gente é algo impensável, acontece num nível elevado no Espírito Santo, um Estado onde quase 40% dos assassinatos são causados por motivo fútil.

Entre 1º de janeiro e 31 de maio deste ano, 250 dos 715 homicídios registrados pela Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social tiveram motivação passional ou foram causados por rixa, vingança, entre outras causas consideradas fúteis. É fato que boa parte desses crimes é praticada, principalmente, nos finais de semana e feriados, quando há maior circulação de pessoas em determinadas áreas. São os chamados crimes de proximidade ou vizinhança.

Secretário de Estado da Segurança, André Garcia admite que em Pernambuco – Estado onde nasceu – o índice é ainda maior, de cerca de 50%, mas admite que as mortes provocadas por causas banais no Espírito Santo são motivo de preocupação.

Movidos a álcool

Mata-se, às vezes, numa discussão em meio ao consumo de doses de cachaça ou cerveja. A ingestão de álcool, lembra o secretário, é fator que favorece, turbinando o potencial de agressividade de muitas pessoas que acabam engrossando a estatística dos envolvidos em casos de homicídio.
André Garcia ressalta que a maioria dos homicídios tem relação direta com o tráfico de drogas – a Secretaria de Segurança estima esse índice em 63%. São casos envolvendo cobrança de dívida e disputa de “territórios” de venda das drogas, entre traficantes.

Garcia faz questão de afirmar que, no que diz respeito aos crimes de motivo fútil, as estratégias de enfrentamento passam menos por atuação de uma polícia ostensiva e mais pela prevenção.

E o secretário cita como exemplos de prevenção o fechamento de bares, a partir de um determinado horário, mais responsabilização criminal e condenação dos culpados. “A impunidade”, admite ele, favorece a incidência dos crimes.

“Por melhor que seja a estratégia policial, você não consegue impactar no resultado em casos de motivação fútil, registrados, muitas vezes, por um desequilíbrio momentâneo da pessoa, numa briga em família, entre quatro paredes”, diz André Garcia.

Ele diz que é preciso contar com a colaboração da sociedade, porque os crimes envolvem também fator cultural. E ressalta a necessidade de melhorar o processo de educação, com resgate de valores na sociedade, além de limites impostos desde a infância.

“Ainda vivo sem entender o que aconteceu”

Foto: Bernardo Coutinho

O pai de Paulo foi morto durante uma briga de trânsito
Paulo Vitor dos Santos Rodrigues, 25 anos, guarda bem na memória muitas das viagens feitas na boleia do caminhão dirigido pelo pai, Antônio Rodrigues, de quem, hoje, só guarda saudades. Seu Antônio, então com 52 anos, foi assassinado após uma discussão de trânsito com um soldado da Polícia Militar do Espírito Santo, no dia 8 de novembro de 2011.

O crime foi cometido próximo à BR 101, no acesso ao bairro Barcelona, perto de um posto de gasolina, na Serra. Paulo Vitor diz que, no próximo dia 13, o acusado do crime, Saulo de Souza, que tinha 30 anos na época, vai a júri popular.

Sem resposta

“Ainda vivo meio que sem entender tudo aquilo. Como é que aquele cara tirou a vida de um homem bom como o meu pai?”, pergunta, em busca de resposta o rapaz que, a exemplo de seu Antônio, também dirige caminhão transportando carga.

O militar, à paisana, dirigia um Gol e, depois de uma leve colisão com a carreta dirigida por Antônio Rodrigues, discutiu com a vítima e deu quatro tiros nela.

Testemunhas disseram que seu Antônio até tentou conversar com o atirador, que alegou ter agido em legítima defesa, mas foi autuado por homicídio qualificado e por colocar em risco a vida de terceiros.

Paulo Vitor faz questão de dizer que seu pai “nunca encostou a mão em uma arma” e “não gostava de confusão”. “É muito complicado a gente ter um pai assassinado sem nenhum motivo. Ele era brincalhão, ficava na dele. Só andava por caminhos bons. Aquilo lá foi uma coisa absurda, e mesmo que o cara pegue 20, 30 anos de cadeia nada vai trazer meu pai de volta”, desabafa o rapaz. O policial foi expulso da Polícia Militar após o crime.

Alguns casos Morto por engano
Maio de 2013
Um adolescente de 143 anos foi morto ao chegar da escola no município de Dores do Rio Preto no último dia 27. O assassino confessou que tinha a intenção de matar o irmão da vítima, um garoto de 15 anos, por quem era apaixonado. O adolescente de 15 anos saiu ferido com golpes de machado

Enterrado vivo
Janeiro de 2013
Maycon Batista Rodrigues, de apenas 11 anos, foi enterrado vivo às margens da BR 101 Norte, no município de Sooretama. Ele teria sido vítima de pauladas e enxadadas, por causa de uma dívida de R$ 10 com outros garotos da região

Morte em lava-a-jato
Agosto de 2012
Juliano Assunção de Oliveira, 29, foi morto quando chegava para trabalhar em um lava a jato, em Planalto Serrano, na Serra, quando Uenderson Antônio dos Santos, 28, sacou uma arma e o atingiu com cinco tiros. O suspeito alegou que a vítima passou por ele e o olhou de forma “debochada”

Funk alto em ônibus
Setembro de 2012
O adolescente Wendel de Freitas Neto, 16 anos, foi assassinado com dois tiros, dentro de um ônibus, na Avenida Beira-Mar, em Bento Ferreira, Vitória. A vítima ouvia funk pelo celular, com volume muito alto. O fato teria incomodado um rapaz que iniciou uma discussão com o garoto e o matou

Violência no trânsito
Setembro de 2012
O auxiliar de produção Joab Vieira dos Santos, 26 anos, foi assassinado dentro do próprio carro, em Itapoã, Vila Velha. O crime ocorreu após uma briga de trânsito. Segundo testemunhas, Joab se desentendeu com outro motorista, depois de uma fechada no trânsito. Após a discussão, Joab seguiu por cerca de 500 metros para pegar a mulher. O atirador o seguiu e atirou contra o carro da vítima

Filho de vereador
Setembro de 2012
Ramon Pinheiro de Azevedo, 18, e Marcelo Guerra de Araújo, 21, foram mortos na porta de um baile funk, em Alecrim, Vila Velha. Eles teriam se envolvido em uma briga dentro da casa de shows, de onde foram expulsos. Ramon era filho do pastor e vereador do município Almir Neres

Vingança
Setembro de 2012
A dançarina e modelo Alini de Oliveira Gama, 21, foi assassinada com dois tiros nas costas por um motoqueiro, em Campo Grande, Cariacica. Ela foi morta porque venceu a namorada do assassino, Deivid Correia de Souza, 26 anos, numa disputa para participar de um DVD de uma banda de forró.



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