Quase 15 anos depois, assassinato de Marcos Parajara será julgado

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Depois de quase 15 anos, os envolvidos na morte do empresário do ramo de vidraçaria e acabamentos para decoração, Marcos Sardenberg Parajara vão a júri popular. Entre os familiares a sensação é de justiça, mesmo tendo esperado tanto tempo. Uma página foi criada no facebook ‘Marcos Parajara – Por Justiça, Contra a Impunidade’, que com menos de um mês, já tem mais de mil curtidas e apoio aos familiares do empresário.

O processo do assassinado do empresário foi até o Supremo Tribunal Federal (STF) e chegará ao Tribunal do Júri de Marataízes. O júri que decidirá o caso está marcado para o dia 24 de setembro, às 08h30, no Fórum de Marataízes.
Marcos Sardenberg Parajara era membro atuante da igreja e foi covardemente assassinado no dia 13 de fevereiro, sábado de Carnaval, na frente da casa onde passava férias com sua família em Marataízes. O crime chocou a sociedade cachoeirense que, assim como a família, ainda aguarda por justiça.

Por volta da meia-noite daquela noite, Marcos saiu da casa onde estava com sua família e amigos para buscar sua filha, Camila, que havia saído com colegas. Na volta, após estacionar o carro, ele foi cercado por dois homens, enquanto sua filha entrava no portão. Um deles perguntou-lhe o nome, ao que Marcos respondeu: “porque quer saber?”.

Depois disso, o segundo homem o segurou pelas costas, enquanto o outro disparou o tiro que lhe atingiu o peito. Os assassinos fugiram num carro, onde uma terceira pessoa os esperava. Marcos chegou a ser socorrido por amigos e levado para o hospital, mas não resistiu ao ferimento.

“Foram quase 15 anos de muito sofrimento calado e de muita introspecção para mim e os nossos filhos. Em todo esse tempo, Marcos sempre esteve em nossos corações e as memórias com este grande homem estão eternizadas em nossas memórias”, contou a viúva, Christiani Voss.

Agora, perto do julgamento, ela disse que a família passa por um forte momento emocional. “Nos poupamos muito nesse tempo para que não sofrêssemos mais e agora estamos revivendo tudo novamente e a dor é a mesma daquela época. Criamos essa página no facebook para mexermos nas feridas aos poucos e não de uma vez só e nos surpreendemos com o carinho das pessoas. Foram muitas curtidas em um espaço pequeno de tempo e isso nos mostrou como Marcos, eu e nossos filhos somos queridos e que não estamos sozinhos nessa. Esse carinho é um conforto que temos”, continuou.

Uma história de vida interrompida
A história do casal começou quando Christiani tinha 12 anos. Eles se conheceram e depois de sete anos de namoro, se casaram e tiveram quatro filhos: Gabriela, Renata, Camila e Eduardo. Quando Marcos foi assassinado, Christiani tinha 39 anos e teve que criar os filhos sozinha. Hoje, Gabriela, Renata e Camila são casadas e Christiani vai formar seu último filho. Ela é avó de três meninas.
“Me lembro de cada minuto daquele dia, o pior da minha vida! Eu fui a primeira a chegar perto, segundos depois, e ele ainda me disse: ‘os caras me deram um tiro’ e não falou mais nada. Do casal que estava conosco lá em casa, ele é médico e com a ajuda de um vizinho, o colocamos dentro do carro, ele foi deitado no meu colo, no banco de trás, até o hospital Santa Helena. Logo começaram a chegar os amigos, também médicos e outros amigos-irmãos. Só Deus e o amor aos meus filhos me fizeram sobreviver a tanto sofrimento”, escreveu ela em um depoimento disponível na página.

Depois do assassinato, os filhos se mudaram para Vitória para estudar e Christiani também se mudou. Hoje, somente uma filha residente em Venda Nova do Imigrante e a mãe e os irmãos continuam na capital.

“Era muito difícil ver os envolvimentos na morte de Marcos levando a vida normalmente e nós sofrendo, acabamos saindo de Cachoeiro e nos mudando para Vitória. A impunidade nos fez sofrer demais”, ressaltou.

Perto da justiça tão esperada, Christiani frisou que a família espera pela justiça. “Que seja uma pena do tamanho do nosso sofrimento ou pelo menos perto da nossa dor. O Marcos era uma pessoa querida, íntegra, honesta, um grande marido, um excelente pai e foi morto de forma covarde. Não queremos vingança e nem ódio ou raiva, e sim justiça, uma punição com rigor”, completou.

Gabriela Voss Parajara Valente
É a filha mais velha do casal. Tinha 17 anos quando seu pai foi assassinado. Quase 15 anos depois, Gabriela está casada e com uma filha de 4 anos.

“É… é hora de respirar fundo, unir nossas forças e sacudirmos a poeira desses quase 15 anos de introspecção. Sofremos todos esses dias em silêncio, na mais íntima dor. Um silêncio que foi uma fuga, que foi um refúgio, que foi para nos poupar de revivermos e remexermos na nossa ferida, que nunca cicatrizará…

Um pedaço nosso que foi arrancado de nossas vidas da forma mais brutal e covarde. Até hoje tentamos entender, tentamos encontrar explicações onde não existe nem, ao menos, uma resposta.

Meu Deus!!! Inveja??? Não… não é possível que um ser humano seja tão cruel a este ponto. Logo este, que é o mais torpe de todos os sentimentos.

Vai doer muito ter que reviver tudo, mas está chegando o tão esperado e, ao mesmo tempo, tão temido momento. Foram quase 15 anos de espera, na busca por Justiça e nós temos que acreditar, com toda nossa força, que ela vai acontecer”.

Eduardo Voss Parajara
É o mais novo do casal. Ele tinha 8 anos quando o pai foi assassinado. Quase 15 anos depois, Eduardo está prestes a se formar em Direito.

Renata Voss Parajara
É a segunda do casal. Tinha 14 anos quando o pai foi assassinado.
Quase 15 anos depois, Renata está casada e com uma filhinha de 6 meses.

Camila Voss Parajara Altoé
É a terceira do casal. Ela estava com o pai no momento em que ele foi assassinado. Quase 15 anos depois, Camila está casada e com uma filhinha de 1 ano e 3 meses.

“Pensando em quem já esperou mais ou menos 15 anos, 35 dias é como se fossem apenas alguns segundos.

A ansiedade vai aumentando, as noites de insônia vêm surgindo, a preocupação toma conta do nosso dia a dia, e uma única pergunta que não sai da cabeça: Como vai ser? O que vai acontecer? Qual será o resultado? E essa espera vai me afligindo.

A única certeza que tenho é de que Deus está do nosso lado, e é através Dele que busco força de onde eu achava que não existia mais.

Não está sendo fácil reviver tudo isso, e também não está sendo fácil para meus irmãos e minha mãe. Como eu queria poder estar ao lado deles em todos os momentos e dias em que eles se sentem tristes, dando força, apoiando, dizendo qualquer coisa para não vê-los chorar. Pois isso é o que mais dói em mim, saber e viver o sofrimento deles. Por vezes já os vi tentando conter as lágrimas, por vezes tentamos não chorar na frente um do outro, por vezes preferimos não tocar no assunto, sabe, para aquela ferida não se abrir ainda mais. Mas agora é a hora. É preciso pedir ajuda, é preciso pedir orações. Estamos perto de ver a justiça acontecer.

Relembrar tudo não é fácil, e quando começo a pensar na cena que presenciei, faço um esforço enorme para não lembrar. Mas por vezes isso é em vão. Impossível esquecer e não se lembrar de cada detalhe daquela crueldade. Tenho medo? SIM. Me sinto insegura? SIM. Mas sei que vou suportar. Afinal, são TANTAS pessoas nos apoiando e TANTAS pessoas em oração pela nossa família”.

Fonte: Aqui Notícias

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