Secretaria de saúde registra 11 mortes suspeitas por leptospirose, pós-chuvas

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As fortes chuvas do final do ano passado trazem para a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) mais uma preocupação: o aumento do número de casos de leptospirose, doença transmitida por uma bactéria encontrada na urina principalmente de ratos e presente na água das enchentes, lama e esgoto. A Sesa vem monitorando os municípios capixabas, principalmente os mais atingidos pelas enchentes, e já registra mais de 244 notificações de casos suspeitos e 11 óbitos investigados pela doença.

A gerente de Vigilância em Saúde Estadual, Gilsa Rodrigues, afirma que a Sesa vem intensificando a capacitação e o contato com os municípios para ficarem atentos ao diagnóstico precoce e iniciar imediatamente o tratamento, por antibiótico, em caso de suspeita de leptospirose. As informações sobre os números da doença no Estado serão divulgadas em um boletim semanal, às terças-feiras.

A Secretaria está preocupada em alertar a população quantos aos riscos que a doença representa. Por isso orienta que, aos primeiros sinais e sintomas, a pessoa procure o serviço de saúde.

Quem já entrou em contato com água suja deve ficar atento a sintomas como febre alta, dor de cabeça e dor muscular (principalmente na panturrilha), náuseas, vômitos, icterícia (cor amarelada da pele, mucosas e olhos), fraqueza, tonteira e diarreia. Também é importante que a pessoa informe ao médico que teve contato com água de enchente. Após a contaminação, leva-se de sete a 40 dias para que os primeiros sintomas se manifestem. O cuidado precoce pode evitar as mortes em função da doença.

Proteção

A Sesa alerta para que seja evitado ao máximo o contato direto com águas de inundações ou enchentes. Quem vive em áreas onde o acesso ao saneamento básico é baixo e que constantemente ficam alagadas deve ter o cuidado redobrado, como sempre proteger o pé (com calçados ou até mesmo sacola plástica amarrada nos pés e mãos), evitar contato com roedores (os principais transmissores), lavar bem os alimentos, ter cuidado com a água ingerida e evitar acúmulo de entulhos em terrenos baldios.

Para desinfecção do ambiente, é preciso primeiro retirar a lama com mãos e pés protegidos e depois lavar o ambiente com uma solução preparada com 400 ml de água sanitária para cada 20 litros de água em um balde. Deve-se umedecer os panos e limpar cada ambiente lavando o chão, paredes e objetos.

Vale ressaltar que após o contato com a água contaminada a pessoa deve sempre lavar-se com água e sabão e usar álcool para ajudar a eliminar as bactérias. Já os trabalhadores que precisam manusear fossas e esgotos precisam usar proteção especial, como botas e luvas.

Outras recomendações importantes são lavar bem os alimentos, ter cuidados com a água ingerida e manter os ambientes sempre limpos, livres de entulhos ou restos de alimentos que possam atrair roedores. Se houver presença de ratos, deve-se procurar o Centro de Controle de Zoonose do município.

Caixas d’água devem ser lavadas duas vezes por ano. Mas se forem atingidas por enchentes siga esses procedimentos: fechar o registro e esvaziar a caixa, abrindo as torneiras e dando descargas. Quando a caixa estiver quase vazia, feche a saída e utilize a água que restou para a limpeza da caixa e para que a sujeira não desça pelo cano. Esfregue as paredes e o fundo da caixa utilizando panos e escova macia ou esponja.

Nunca use sabão, detergente ou outros produtos. Retire a água suja que restou da limpeza, usando balde e panos, deixando a caixa totalmente limpa. Deixe entrar água na caixa até encher e acrescente um litro de hipoclorito a 2,5% para cada mil litros de água. Pode ser usada a água sanitária sem alvejante e sem perfume. Aguarde por duas horas para desinfecção do reservatório. Esvazie a caixa, tampe-a. Abra o registro para enchê-la novamente. A água estará pronta para o uso.

A leptospirose é causada por uma bactéria (Leptospira) que é eliminada, principalmente, pela urina dos ratos. Com as chuvas, as fezes e urina dos roedores se misturam com a água alagada que passa a ficar contaminada. O simples contato da pele com essa água ou lama pode transmitir a doença.

Como se prevenir:

- Controlar a população de ratos é a principal forma de evitar o risco de leptospirose. Para isso, é preciso que o ambiente seja mantido limpo. Ou seja, quanto menos rato, menor o risco.
- Não entre em ambientes de lama ou em locais de criação de animais sem proteção adequada, como luvas e botas.
- O lixo doméstico deve ser ensacado e posto fora de casa, no alto, pouco antes de o lixeiro passar.
- É importante manter limpos quintais, terrenos baldios, ruas e córregos, evitando entulhos e objetos inúteis.
- Terrenos baldios devem ser limpos, murados e sem lixo.
- Mantenha a caixa d’água limpa e bem tampada, evitando a invasão de ratos.

Saiba mais

– Não há vacina contra a leptospirose. A prevenção é controle de roedores no meio ambiente e se proteger do contato com a lama das enchentes.
– A doença não é transmitida de pessoa para pessoa.
– Pode se apresentar de forma grave e levar à morte.
– As pessoas são passíveis de ter a doença outras vezes na vida.
– A pele não precisa estar ferida para a pessoa se contaminar.

Casos de leptospirose no ES

2009 – 246 casos confirmados e 06 óbitos
2010 – 277 casos confirmados e 03 óbitos
2011 – 290 casos confirmados e 18 óbitos
2012 – 241 casos confirmados e 16 óbitos
2013 – 111 casos confirmados e 04 óbitos (até novembro)

2014 – 244 casos notificados, sendo 33 descartados e 11 óbitos em investigação

Obs: Os dados de 2014 se referem ao monitoramento dos casos relacionados ao período de chuvas/enchentes contados a partir de 1º de dezembro 2013, data do primeiro alerta da Defesa Civil Estadual para as chuvas. Ao final das investigações dos casos, a equipe avaliará a qual ano cada um pertence.



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