Médicos legistas paralisam 100% dos serviços em todo Espírito Santo

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Os serviços de exames de necropsia, corpo de delito, lei seca e avaliações para beneficiamento do seguro DPVAT, que são realizados pelos médicos legistas dos Departamentos Médico Legal (DML) estão suspensos por tempo indeterminado no Espírito Santo. Uma greve, iniciada nesta segunda-feira (24), após ação da Justiça se tornou paralisação de 100% dos serviços.

Cerca de 35 médicos legistas de todo o Estado paralisaram os serviços desde a noite desta segunda-feira (24), devido o resultado da reunião com os representantes do governo. “O que foi dito na reunião não foi uma proposta e sim uma promessa, algo muito vago, não nos deu nenhuma segurança, então não houve acordo”, afirmou o médico legista Leonardo Lessa.

Com a paralisação os médicos legistas estão sobre ameaça de serem presos, devido a uma liminar liberada pelo Tribunal de Justiça no último sábado (22). Além do Sindicato dos Médicos do Espírito Santo (Simes) pagar uma multa diária de R$ 5 mil. Em menos de 24h de paralisação, já ocorrem confusão e muita indignação da população que necessita dos serviços prestados pelo DML.
Um serviço realizado pelos médicos é corpo de delito, e também está suspenso. E para auxiliar de enfermagem Ana Maria dos Santos, esse foi um dia frustrante.

“Eu vim fazer o exame de corpo de delito e eles não querem fazer, querem que eu volte daqui um mês, e os meus hematomas como vão fica? Fui agredida pelo o meu marido, ele me deu uma surra, me sinto mal, me sinto péssima, que Brasil é esse que uma mulher toma uma surra do marido e não pode fazer o exame? Cadê a Lei Maria da Penha, ela existe? Sem os hematomas como eu vou provar? Meu marido vai ficar solto, me batendo?”, questionou indignada.

Na noite de segunda (24), o avô de Liliane de Moraes Rosa, operadora de telemarketing, faleceu no hospital e foi encaminhado para o DML de Vitória, mas ao chegar ao departamento Liliane ficou muito confusa.

“Cheguei hoje mais cedo procurei saber sobre o meu avô, eles falaram que o corpo não havia chegado ainda. Fiquei ali fora esperando e para avisar para o resto da minha família. Depois resolvi voltar aqui dentro e fui informada que ele já havia sido transferido pra cá ontem à noite, então a gente não sabe se ele está ou não aqui, está tudo muito complicado, estou aqui desde as 8h da manhã e não tenho certeza de nada, não tenho nem como fazer o reconhecimento, não temos expectativas da liberação do corpo”, concluiu Liliane. Sem o laudo da necropsia os corpos que dão entrada no DML não podem ser liberados e somente os médicos legistas entregam este documento.
“Sou pai do Wandrel, de oito anos, estou aqui desde as 8h, falaram que só os atendentes estão trabalhando e dependo dos médicos legistas para liberar o corpo do meu filho”, disse Fernando Augusto Pimentel. Ele perdeu o filho na noite desta segunda (24). Wandrel estava brincando quando um muro quebrou e desabou sobre a criança, que teve a caixa torácica esmagada, chegando ao hospital já em óbito. “Agora só Deus para esperar pelos legistas. Nossa Senhora eu só estou querendo meu filho”, finalizou Fernando.

O advogado do Simes, Luiz Telvio Valim, afirma que essa paralisação é indeterminada e é apenas para sensibilizar o governo sobre a importância dos serviços prestados a sociedade pelos profissionais médicos legistas.
“Até agora o governo não se manifestou, foi insensível com pleito que é extremamente importante do ponto de vista social e pela própria justiça, porque são esses médicos que fazem os laudos que apontam quem é culpado e inocente em um crime. Temos aí uma escalada crescente da violência, e eles estão sobrecarregados, ganhando uma miséria. Sobre a questão da justiça, não importa para eles serem presos ou não, o que vale mais é a dignidade, ser preso nesse momento é o mínimo para quem ganha tão pouco e trabalha em péssimas condições, não só de salário, mas a precariedade deste órgão”.

Ainda segundo o advogado, os legistas querem pedir a interdição do próprio departamento. Eles afirmam que as condições de trabalho são insalubres no DML.

Entre as reivindicações, a categoria quer aumento do número de profissionais no estado, de 35 médicos para 78; equiparação salarial com a dos médicos ligados à Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Segundo o Simes, o valor inicial recebido pelos legistas é de R$ 3,8 mil, enquanto os vencimentos iniciais dos médicos vinculados à secretaria ganham cerca de R$ 8,5 mil.



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