Cientistas de todo o mundo pedem suspensão imediata dos transgênicos

Transgenicos

Mais de 800 cientistas de 82 países assinaram uma carta na qual expressam sua preocupação com os perigos que os produtos transgênicos representam para a biodiversidade, a segurança alimentar e a saúde humana e animal. Eles fazem um apelo pela suspensão imediata de qualquer tipo de patente de organismos vivos geneticamente modificados, que ameaçam a segurança alimentar e violam os direitos humanos básicos e a dignidade.
Os pesquisadores também insistem que o Congresso dos Estados Unidos proíba os cultivos transgênicos e apoie a pesquisa e o desenvolvimento de métodos de agricultura sustentável que podem realmente beneficiar as famílias de agricultores em todo o mundo.

Eles também reiteram que os cultivos transgênicos intensificam o monopólio corporativo e, desta forma, exacerbam as desigualdades, levando os agricultores familiares à miséria; e impedem a mudança para uma agricultura sustentável que garanta a segurança alimentar e a saúde em todo o mundo. A agricultura familiar, aliás, é a única saída apontada para a recuperação de áreas degradadas pelas lavouras do agronegócio e, além disso, possibilita a autonomia dos pequenos agricultores familiares para combater a pobreza e a fome.

A carta também aponta que as empresas produtoras de transgênicos desenvolvem tecnologias para que as sementes colhidas não germinem e que, assim, os agricultores não possam guardar e replantar suas próprias sementes, como é feito pela maioria dos agricultores do Terceiro Mundo, perdendo o controle sobre seus próprios plantios.

O monopólio empresarial, que se opõe à pobreza dos agricultores familiares, é apresentado por uma simples estatística: enquanto quatro empresas controlavam 85% do comércio mundial de cereais no final do ano de 1999, a população agrícola na França e na Alemanha diminuiu em 50% desde 1978; 20.000 empregos agrícolas do Reino Unido sumiram no último ano; e entre 1993 e 1997, o número de propriedades de tamanho médio nos Estados Unidos reduziu-se em mais de 74 mil.

Dentre os diversos motivos apresentados na carta para a interdição dos organismos geneticamente modificados, são destacadas a resistência aos herbicidas e a produtividade escassa, que não cumpre a falsa promessa de aumento na produção de alimentos. Segundo dos pesquisadores, 71% dos quase 40 milhões de hectares de cultivos transgênicos plantados em 1992 nos Estados Unidos são tolerantes a herbicidas de amplo espectro, desenvolvidos, por sua vez, para serem tolerantes à sua própria marca de herbicida. O percentual restante é projetado com as toxinas Bt para matar pragas de insetos. Além disso, uma estatística baseada em 8.200 testes de campo da soja, o cultivo transgênico mais popular, revelou que este plantio rende 6,7% menos e requer duas a cinco vezes mais herbicidas que as variedades não modificadas geneticamente.

As toxinas Bt provocaram a evolução de pragas de insetos, que se tornaram resistentes à toxina em resposta à sua presença nas plantas transgênicas durante todo o ciclo de cultivo. Por conta desta modificação nas pragas, a Agência de Proteção do Meio Ambiente dos Estados Unidos recomenda que os agricultores plantem até 40% de cultivos não geneticamente modificados com a finalidade de criar refúgios para não pragas de insetos resistentes.

A carta evidencia ainda que pelo menos 37 mortes e 1.500 doenças graves estão relacionadas a um lote de triptofano produzido por microorganismos geneticamente modificados; e que um hormônio geneticamente modificado de crescimento bovino, injetado em vacas para que aumente a produção de leite, provoca não só o sofrimento excessivo e doenças nos animais, mas também aumenta no leite uma substância diretamente vinculada ao câncer de mama e da próstata em seres humanos.

Também é preocupante o potencial de transferência horizontal de genes marcadores de resistência a antibióticos. Estes chegam muitas vezes ao ponto de tornarem doenças infecciosas incuráveis e, em suas mutações, provocam até mesmo a criação de novos vírus e bactérias que causam doenças, além de mutações danosas que podem provocar o câncer.

Os pesquisadores lembram que mais de 120 governos se comprometeram a aplicar o princípio da precaução e garantir que as legislações de biossegurança em nível nacional e internacional tenham prioridade sobre os acordos comerciais e financeiros da Organização Mundial do Comércio (OMC). O compromisso foi firmado no Protocolo de Biossegurança de Cartagena, negociado com sucesso em Montreal, em janeiro de 2000, e assinado por 68 governos em Nairóbi, em maio do mesmo ano. Também na Conferência da Comissão do Codex Alimentarius, em Chiba, no Japão, em março de 2000, delegados de diversos países concordaram em preparar procedimentos regulamentares rigorosos para os transgênicos.

A carta destaca que o programa para a alimentação da Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que atualmente há alimentos suficientes para alimentar o mundo uma vez e meia, embora um bilhão de pessoas ainda passem fome em todo o mundo. Além disso, relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) confirma que, sem levar em conta os supostos melhoramentos genéticos dos transgênicos até o ano de 2030, a quantidade de alimentos existentes é suficiente ou mais que suficiente para satisfazer as demandas globais.

O pedido do documento é para que todos os governos rejeitem os transgênicos, diante de todos os perigos já expostos que estes apresentam à população e a um uso ecologicamente sustentável dos recursos; e para que apoiem, em vez disso, a pesquisa e o desenvolvimento de métodos agrícolas sustentáveis. Como expõem os cientistas, são sucessivos os estudos que comprovam a produtividade e a sustentabilidade da agricultura familiar no Terceiro Mundo e que indicam que pequenas propriedades no Norte e do Sul são mais produtivas, mais eficientes e contribuem mais para o desenvolvimento econômico do que as grandes fazendas.

Ainda de acordo com a carta, os pequenos agricultores também tendem a cuidar melhor dos recursos naturais, da conservação da biodiversidade e salvaguardar a sustentabilidade da produção agrícola. A agroecologia, como retratam, já é sucesso no cultivo de 12,5 milhões de hectares em todo o mundo, se tornando uma modalidade de plantio ambientalmente saudável e acessível para os pequenos agricultores, além de recuperar terras agrícolas totalmente danificadas pela agricultura intensiva convencional. “Ela oferece a única forma prática de recuperar as terras agrícolas degradadas pelas práticas agrícolas convencionais. Acima de tudo, capacita os pequenos agricultores familiares para combater a pobreza e a fome”.



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