Espírito Santo é o líder do tráfico de drogas no Brasil

Droga

Os cortes referentes à Segurança Pública no Espírito Santo associado ao adiamento na formatura de mil novos soldados da Polícia Militar têm provocado consequentes aumentos em algumas áreas da criminalidade no Espírito Santo. Apesar da diminuição do número de homicídios, assaltos e furtos têm sido constantes e só este ano já foram apreendidas mais de duas toneladas de maconha pela Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (Deten) – além dos mais de 370 quilos de drogas 3.404 comprimidos de ecstasy, 12 frascos de lança-perfume e 2,6 mil maços de cigarros apreendidas no primeiro semestre pela Polícia Federal no ES.
Este ano foram registrados mais de sete mil roubos ou furtos e 3.674 comerciantes foram assaltados em todo o Espírito Santo. Mas, apesar da quantidade de maconha apreendida ser duas vezes a quantidade apreendida no ano de 2014, o combate às drogas tem sido menos intenso, por questões de contenção de gastos em viaturas para realizar rondas e redução e redirecionamento de efetivo. Metade desta quantidade de maconha foi apreendida em uma única operação.
O delegado titular da Deten, Wellington Lugão, disse que, apesar disso, reconhece o aumento do tráfico de uma forma geral. “Ao logo dos anos tem aumentado de uma forma geral o uso de drogas tanto maconha, cocaína e crack, quanto sintéticas. Tem sido uma epidemia. O consumo e o número de denúncias têm aumentado. E as apreensões dependem de alguns fatores. Se você tem uma delegacia de 20 policiais e se diminui este número, também diminui o número de apreensões”, exemplifica Lugão.
Os últimos números relacionados ao cenário nacional do tráfico de drogas no Brasil mantém o Espírito Santo como o líder nacional na taxa proporcional. Para cada 100 mil habitantes, 144 pessoas estão envolvidas do tráfico de entorpecentes, segundo dados do Anuário Nacional de Segurança Pública de 2014. Esses dados eram de 111 pessoas por 100 mil relacionadas ao crime, de acordo com os dados do anuário de 2013.
O delegado Wellington Lugão ressalta que tem observado também a maior participação de adolescentes no tráfico de drogas, principalmente nas funções mais simples da hierarquia do tráfico, como ‘vapores’ ou ‘aviões’. “A participação de adolescentes é cada vez maior. É estratégia dos traficantes, pois via de regra, não podem ser apreendidos por tráfico”, explica o delegado.
Junto à maconha, a cocaína e o crack são as drogas mais consumidas e apreendidas no Espírito Santo. A rota das drogas, até que cheguem na Grande Vitória, começa em países como Bolívia, Peru e Colômbia, chegando nos estados de Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso, onde os traficantes vão buscar os entorpecentes para distribuí-los por aqui.
As drogas entram prioritariamente pela BR 101 (Norte e Sul) e pela BR 262 e antes de chegarem à Grande Vitória, costumam ser fracionadas nos municípios de Cachoeiro, Ibatiba, Iúna, Pedro Canário e São Mateus. A Serra é o principal entreposto até que as drogas cheguem aos demais municípios da Grande Vitória.
Um recente estudo divulgado pelo Escritório de Drogas e Crimes da Organização das Nações Unidas (UNODC), ranqueou o Brasil como o maior distribuidor de cocaína do mundo da última década, citado em 56 países como local de trânsito da droga.
O estudo aponta ainda que o país concentrando um consumo quatro vezes superior à média mundial. São 3,3 milhões de usuários da droga no Brasil. O número corresponde a 1,2% da população nacional, acima da proporção de 0,7% verificada em 2008.
O Brasil não produz cocaína. Entretanto, segundo o delegado Lugão, são muitos os laboratórios que recebem a droga e fazem as misturas para fazer a droga render e depois vender. “Eles pegam a cocaína pura, a chamada ‘ninety-nine’ (99% de pureza) e colocam todo o tipo de mistura, como ácido bórico, xilocaína, cafeína, para fazer render. Este ano pegamos um laboratório na Serra com 33 kg de cocaína já desdobrada e preparada para o embalo”, disse o delegado.
Segundo Lugão, o problema do tráfico estar crescendo no país está na vigilância das fronteiras. “O Brasil é tora de envio de drogas para o exterior, mas sabemos que a produção de cocaína vem da Bolívia. O Espírito Santo é mais uma rota alternativa”.
O consumo de cocaína no Brasil mais do que dobrou em menos de 10 anos. Em 2005, a ONU apontava que 0,7% da população entre 12 e 65 anos consumia cocaína no Brasil. Ao fim de 2011, essa taxa chegou a 1,75%. De acordo com os dados da ONU, o consumo brasileiro é bem superior à média mundial, de 0,4% da população. A média brasileira também supera a da América do Sul (1,3%) e é até superior à da América do Norte, com 1,5%.
U$ 320 bi por ano
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o tráfico de drogas tem um lucro de U$ 320 bilhões ao ano, configurando-se como prática ilegal mais lucrativa do mundo. “Além disso, sabe-se que, junto ao lucro com a venda de drogas, existem outros negócios ilícitos como o comércio ilegal de armas”, destaca Telmo Ronzani Coordenador do Centro de Pesquisa, Intervenção e Avaliação em Álcool e Outras Drogas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

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