Maracujá vira alternativa de renda no interior do Espírito Santo

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Bastante requisitado pelas indústrias de sucos prontos, polpa de fruta, consumo familiar e ainda a indústria farmacêutica, o maracujá tem um futuro promissor. Sua boa aceitação no mercado nacional e capixaba chamou a atenção dos produtores de leite em Murucici, no Norte do Espírito Santo, que estão diversificando a atividade principal da região, a pecuária, e inserindo o plantio da fruta como alternativa de renda.
Ricardo Pina Azevedo e Manoel Jesus Silva possuem fazendas no município, onde o carro-chefe é a pecuária, apesar de a região ser favorável ao plantio de frutas tropicais. Silva, dono da Fazenda Riacho Doce, optou por ampliar as possibilidades e inseriu na sua propriedade, há cerca de cinco anos, a plantação de maracujá amarelo azedo.
“Para mim foi melhor, é mais rentável e prazeroso”, disse Silva. “A gente tem prazer em plantar a semente, cuidar da muda e colher o fruto”, acrescentou. Ele começou com um hectare, hoje já está com cinco hectares de maracujá plantados e emprega quatro pessoas. O lucro, de acordo com ele, pode ser de 100%.
Um hectare produz, aproximadamente, 30 toneladas da fruta. Vendido, para os atravessadores, a R$ 1,50 o quilo, pode gerar receita de R$ 45 mil. Dessa soma, retira-se o custo da produção que fica em torno de R$ 15 mil. Segundo o engenheiro Agrônomo do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), João Henrique Trevizani, a cultura do maracujá pode ser uma boa alternativa de renda para os produtores, principalmente no quesito à remuneração mais frequente ao longo do ano – se comparado a outras culturas de destaque no estado, como o café.
“Com um cultivo bem conduzido desde o inicio, seguindo as recomendações técnicas de condução, manejo fitossanitário e tecnologias pré e pós colheita, a cultura pode oferecer ao produtor um bom retorno do seu investimento em um curto espaço de tempo”, disse Trevizani.
Atualmente, o cultivo do maracujá se destaca no Estado em cinco municípios capixabas: Sooretama, São Mateus, Jaquaré, Linhares e Santa Maria de Jetibá. Estima-se uma produção anual de 33.501 toneladas da fruta.
Mucurici
De acordo com o Felipe Neves, Agente de Extensão em Desenvolvimento Rural do Incaper, o município de Mucurici possui relevo, clima e disponibilidade hídrica necessários para o plantio de muitas frutas tropicais. Apesar de todo esse potencial, a fruticultura é pouco explorada pelos produtores da região. O carro-chefe é ainda a produção de leite.
“Há no município algumas poucas plantações de banana, aproximadamente seis hectares de goiaba e cerca de 200 hectares de mamão. Em Mucurici o único produtor de maracujá em escala industrial é apenas o da Unidade Demonstrativa (uma unidade modelo de demonstração implantada pelo Incaper), existem alguns outros poucos que não chegam a meio hectare”, explicou Neves.
Unidade Demonstrativa de Maracujá
O Incaper implantou Unidade demonstrativa de Maracujá para ser modelo de produção e orientação para os agricultores tanto de Mucurici como dos municípios vizinhos. Os primeiros resultados de produção da Unidade ficam na faixa entre 10 e 12 toneladas.
Felipe Neves destacou que o plantio foi feito de forma escalonada para que a produção possa ser contínua durante o ano. A maior parte da produção, até o momento, foi vendida para atravessadores que levam os frutos para abastecer o mercado em São Paulo. Estes revendem para supermercados e Ceasa (Central de Abastecimento).
A fruta em números
O Brasil é o maior produtor da fruta no mundo; e o estado da Bahia responde com mais de 90 mil toneladas/safra no território nacional. Em segundo lugar está São Paulo, com mais de 80 mil toneladas. Espírito Santo e Minas Gerais estão ganhando espaços também.
O município de Sooretama responde pela maior produção de maracujá do Espírito Santo, com uma produção anual de 12 mil toneladas em uma área plantada de 500 hectares (há) (200ha em fase formação e 300 em fase de produção), com um rendimento médio 40 toneladas/ha, bem acima da média estadual que está em torno de 25,34 toneladas/ha. Outros municípios de destaque estão: São Mateus com 220ha plantados, Jaguaré com 200ha , Linhares com 150ha, e Santa Maria de Jetibá, na região serrana, com 80ha plantados. Até o ano passado, Jaguaré era o maior produtor da fruta.
De acordo com o Engenheiro Agrônomo do Incaper, João Henrique Trevizani, atualmente, estima-se que o estado produza, por ano, algo em torno de 33.501 toneladas de maracujá, com Sooretama respondendo por aproximadamente 36% da produção total. Na escala de produção capixaba, São Mateus responde com 3.960 toneladas; Jaguaré e Linhares com 3 mil toneladas, cada; e Conceição da Barra com uma produção total de 1.700 toneladas.



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