Papa diz que divorciado não deve ser tratado como excomungado

Papa

A dois meses do Sínodo da Família, o papa Francisco pediu aos sacerdotes que sejam mais misericordiosos com as pessoas que se divorciaram e voltaram a se casar fora da Igreja. O pronunciamento foi feito na tradicional audiência geral, realizada na quarta-feira, 5, no Vaticano. O pontífice afirmou que essas pessoas não devem ser tratadas como excomungados.

A maneira como a Igreja lida com os católicos que romperam o matrimônio deve ser um dos pontos principais do Sínodo da Família, que reunirá bispos do mundo inteiro em outubro. A atual instrução da Igreja orienta que os católicos divorciados não estão aptos a comungar, a não ser que se abstenham de relações sexuais, já que o primeiro casamento permanece válido aos olhos do catolicismo.

Em sua audiência geral, o papa disse que a Igreja precisa desenvolver modos de oferecer urgentemente “verdadeiras boas-vindas” aos católicos que encontraram a felicidade em um segundo matrimônio, após terem que passar pelo fracasso no relacionamento anterior". “Essas pessoas não foram, de modo algum, excomungadas. E elas não deveriam ser tratadas como se tivessem sido, pois serão sempre parte da Igreja.”

O pontífice explicou ainda que é importante que os padres mantenham uma postura acolhedora com as crianças que são fruto de situações deste tipo. “Como podemos insistir que os pais façam tudo para criar seus filhos na vida cristã, se nós os mantivermos distantes da vida da comunidade como se tivessem sido excomungados?”, questionou o papa.

Ele pontuou que os filhos das pessoas que se casaram fora da Igreja não devem ser obrigados a suportar o “peso adicional” de serem tratados como párias em suas paróquias locais por causa do insucesso do primeiro casamento dos pais.

Equívoco

Segundo o teólogo Fernando Altemeyer Júnior, doutor em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a tolerância defendida pelo papa Francisco é completamente plausível, por se tratar de algo que já está estabelecido nas ensinamentos católicos.

A analista previdenciária Cristina Pacheco, de 50 anos, teve o divórcio oficializado em 1991, após três anos de união. Cristina foi em busca da declaração de nulidade do casamento religioso por incentivo do sacerdote de sua paróquia. A analista contou que frequentava a comunidade católica, mas se sentia muito desconfortável por não participar da comunhão.

Com a oficialização da nulidade em 2010, Cristina pôde se casar com o atual companheiro, o securitário Paulo Colognese, de 57 anos. O casal subiu ao altar em 2011, contudo, já morava na mesma residência havia 17 anos. Com Agências Internacionais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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