ES campeão de tentativa de homicídios e tráfico de drogas no país

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O Anuário Nacional de Segurança Pública 2015 mostrou que os números da violência no Espírito Santo continuam altos, apesar da redução de casos em algumas áreas. O estado capixaba é, pelo segundo ano consecutivo, campeão das taxas de homicídio, do Brasil.
Apesar do número de vítimas de homicídios dolosos, quando o autor tem a intenção de matar, ter diminuído 3,4% de 2013 para 2014, o número de tentativas de homicídio aumentou 2,4%. Indicadores aponta uma taxa de 77,3 tentativas de homicídio para cada grupo de 100 mil pessoas.
Segundo especialistas em segurança pública, este número está diretamente ligado ao aumento de outro indicador ruim para nosso estado: o tráfico de drogas. Também pela segunda vez consecutiva, o ES registrou a maior taxa de pessoas envolvidas com o tráfico de drogas em todo o Brasil, com média de 147,8 envolvidos para cada grupo de 100 mil habitantes. O número é 3,3% superior ao de 2013, e é duas vezes superior à média nacional.
O delegado titular da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), José Lopes, afirmou que o tráfico de drogas é responsável por 68% dos homicídios na Região Metropolitana. De acordo com ele, a grande maioria dos assassinatos ocorre por meio de armas de fogo (85%) e a maioria é em vias públicas.
Grande Vitória – De 2013 para 2014, ano de consolidação dos últimos dados divulgados pelo Anuário Nacional de Segurança Pública, houve, na Grande Vitória, um aumento de tentativa de homicídios. De janeiro a novembro de 2013 foram 877 e no mesmo período de 2014 foram 977, um aumento de 10%. Já, até o presente momento de 2015, o número de tentativas de assassinato é a menor em três anos: 775.
Já os homicídios consumados tiveram uma queda de 19,3% na Grande Vitória, de acordo com Lopes, passando de 872 em novembro de 2014 para 704, até o mesmo período deste ano. “Aumentamos a nossa resolutividade. Temos 70% dos inquéritos de homicídios solucionados. Em 2013 era 49% e em 2014 foi 60%. Isso tem efeito direto na redução de homicídios. Ao resolver um inquérito de homicídio, pede-se a prisão da pessoa. Além de não matar, também não morre. O autor de hoje é a vítima de amanhã”, disse o delegado.
“A grande quantidade de droga não influencia o homicídio. O que influencia é o traficante. Se 68% das mortes tem a ver com tráfico, temos que descapitalizar o tráfico. Onde rola a droga, rola o sangue, pois querem poder. Fazemos um trabalho de inteligência para identificar os cabeças, não só as mulas. Temos feito trabalho conjunto com a PRF, Receita Federal, já que o Espírito Santo tá no meio de tudo”, completou.

Segurança é um conjunto de esforços
A maioria dos homicídios na Grande Vitória ocorrem em regiões onde é grande a vulnerabilidade social, como bairro de Feu Rosa, Vila Nova de Colares, Novo Horizonte e Central Carapina, na Serra; a região da Grande Santa Rita e Grande Terra Vermelha, em Vila Velha; Nova Rosa da Penha, em Cariacica; e na Grande São Pedro, em Vitória. A faixa etária incluída nas estatísticas de homicídios e drogas está entre 17 e 24 anos.
“Temos condições de encher dois CDPs (Centros de Detenção Provisória), mas não adianta encher a cadeia de presos. Temos problemas nas áreas de responsabilidade social, saúde, educação. São vários fatores que têm de trabalhar juntos para uma boa segurança pública”, disse o delegado José Lopes.
Ele disse ainda que o perfil dominante entre homicidas e traficantes, inclui a escolarização baixa, sem o ensino fundamental concluído. De acordo com os dados da DHPP, 21% dos homicídios são por vingança, 4% por motivos passionais e 4% por vias de fato.
Especialista: aumento de repressão
Na análise de Márcia Barros Ferreira Rodrigues, professora da UFES e pós-doutora em Ciência Política, o aumento do número do aparato policial que tem sido uma constante nos últimos anos, ainda é uma política voltada para a repressão.
“Estávamos avançando, principalmente no incentivo a pesquisa o que representou um diferencial importante em relação ao resto do país. Entretanto, agora notamos uma repetição de gestões anteriores que consiste em aumentar o número de viaturas, prisões, policiais. Essa é uma visão que se diz técnica, com um marketing forte, mas que na verdade significa força e repressão travestido de investimento social. A questão da segurança pública ainda não foi tratada com a seriedade devida, envolvendo a sociedade os órgãos públicos e principalmente a universidade”, afirmou a doutora.
Para ela, em virtude da dinâmica complexa dos homicídios é necessário o monitoramento e atualização constante em pesquisas de ordem qualitativa, para que ações possam ser norteadas em conjunto com diferentes atores sociais.



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