Três bebês nascem com microcefalia no ES e oito grávidas confirmam doença

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O Espírito Santo confirmou o nascimento de três crianças com microcefalia e outras oito gestantes já receberam o diagnóstico para a doença em seus bebês. Além disso, 10 grávidas apresentam doença exantemática (manchas vermelhas na pele). A Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) investiga os casos para confirmar se há relação com o zika vírus, transmitido pelo Aedes aegypti.

O zika vírus, registrado neste ano pela primeira vez no território brasileiro, também causa grande preocupação, tanto pelo número de casos, que tem aumentado rapidamente no país, em especial no Nordeste, quanto por causar microcefalia nos bebês quando mulheres grávidas são infectadas.

Tire suas dúvidas sobre a microcefalia

No Espírito Santo foram registrados, até esta terça-feira (01), 185 casos suspeitos de infecção pelo zika vírus, sendo que cinco desses foram confirmados laboratorialmente (04 em Vitória e 01 em Vila Velha).

Combate ao mosquito

Com a proximidade do verão, aumenta a preocupação, pois nesta época do ano é naturalmente maior o risco de proliferação do mosquito Aedes aegypti e, consequentemente, a possibilidade de transmissão de dengue, zika e chikungunya, esta última doença ainda não registrada no Espírito Santo

“Nós fazemos um apelo a toda a população capixaba no sentido de matar o mosquito que está dentro da sua casa. Esta é a colaboração que cada um pode dar para a saúde coletiva de todos”, diz o secretário Estadual de Saúde, Ricardo de Oliveira.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), o número de casos de dengue aumentou no Espírito Santo. Somente em 2015, foram registrados mais de 34 mil casos. Do total, 28 pessoas morreram.

O secretário explicou ainda que o Estado receberá uma equipe de especialistas para enfrentar o zika vírus. “Nós estamos organizando uma equipe de especialistas de fora do governo do Estado para nos ajudar, porque ainda não temos conhecimento específico da zika e das consequências do ponto de vista da saúde e nós estamos articulando com todos os secretários municipais e com todas as prefeituras ações de combate ao mosquito que já existem e nós vamos intensificar”, conclui o secretário.

A gerente de Vigilância em Saúde da Sesa, Gilsa Rodrigues, ressaltou que será necessário fazer uma intensificação de combate ao mosquito diferente do que foi feito até agora.

“Por isso estamos chamando Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Secretaria de Estado de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano (Sedurb), as secretarias municipais de Saúde e também de serviços urbanos, responsáveis pela coleta de lixo urbano, enfim, diversos órgãos que possam ajudar no combate ao mosquito, além da população, que precisa dar a sua colaboração. Afinal, 72,87% dos criadouros do mosquito estão dentro das casas. Esse percentual é maior do que o do ano passado. Isso é muito preocupante porque quando a gente acredita que a população está entendendo que não se pode criar mosquito dentro de casa, vimos um aumento dos focos nos domicílios”, enfatizou a gerente.

Os principais criadouros do Aedes aegypti são vasos de planta e pratinhos que ficam sob os vasos para recolher a água (31,3%); depósitos de água para consumo humano (23,57%) – tanto depósitos elevados quanto ao nível do solo; pneus, câmaras de ar, entulhos, sucatas deixadas a céu aberto (25,1%); calhas, ralos, floreiras de cemitérios (18%); e, em menor proporção, depósitos naturais, como bromélias, oco de árvores e buracos em rochas (2,1%).
Sinal amarelo no ES

Pneus com água parada em depósitos são um perigo e podem ser abrigo para o mosquito

Uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde, no dia 24 de novembro, revelou que dez municípios capixabas, incluindo Vitória, estão em situação de alerta para a dengue. Outros três municípios estão em situação satisfatórias, segundo o ministério. Os dados são do Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa).

Segundo a pesquisa, Viana, na Grande Vitória, tem o maior índice registrado, com 3,2. Já o município com menor incidência é Ecoporanga, com 0,2 de índice.

Saiba como prevenir

Uma vez que dengue, zika e chikungunya são transmitidas pelo mesmo mosquito, as formas de prevenção das três doenças são as mesmas e baseiam-se no controle da proliferação do vetor. São medidas simples, e talvez por isso algumas passem despercebidas. A dica, então, é fazer uma lista com tudo o que deve ser verificado dentro de casa e no quintal para que nenhum item importante seja esquecido.

Outra orientação que deve ser seguida à risca é escolher dias fixos da semana para fazer vistorias e eliminar os criadouros do vetor, pois o ciclo evolutivo do mosquito dura, em média, de cinco a sete dias. Portanto, se a pessoa elegeu o sábado para fazer a vistoria, ela precisa fazer a limpeza sempre nos sábados. Isso porque se numa semana ela fez a vistoria no sábado e na outra deixou para fazer na segunda-feira, por exemplo, já se passou o período evolutivo e novos mosquitos podem ter surgido.

Recipientes como vasilhas de animais domésticos necessitam ser limpos com uma boa escovação nas bordas para retirar possíveis ovos do mosquito. O mesmo deve ser feito com vasos de plantas, tonéis, caixas d’água e a bandeja que fica atrás da geladeira. Aliás, além de limpos, a bandeja detrás da geladeira e os vasos de planta devem ser mantidos sempre sem água.

A escovação desses locais é importante porque a fêmea coloca o ovo na parede desses recipientes e ele pode ficar lá até 450 dias, ou seja, mais de um ano. Assim que entrar em contato com a água, em um ou dois dias o ovo eclode e a larva, que é o primeiro estágio do mosquito, vai para a água. Daí por diante o mosquito completa sua evolução na água e depois vai para o ambiente.

O quintal é outro local que pode se tornar um grande depósito de criadouros do mosquito que transmite dengue e zika, por isso, também deve ser vistoriado toda semana num dia fixo. É importante manter os quintais bem varridos, eliminando recipientes que possam acumular água, como tampinha de garrafa, folhas e sacolas plásticas.

Certifique-se de que as lonas de cobertura estejam bem esticadas para não haver acúmulo de água quando chover. Coloque garrafas vazias de cabeça para baixo, e se por algum motivo tiver pneus no quintal, mantenha-os secos e abrigue-os em local coberto ou descarte-os corretamente se não tiverem utilidade.

Se a casa tiver que ficar fechada por mais de cinco dias, tempo que o mosquito leva para se desenvolver, é importante repassar a lista de verificação antes de sair, lembrando também de manter fechadas as tampas de vasos sanitários e de ralos pouco usados, como os de áreas de serviço e de lazer, que tenham a possibilidade de acumular água; fechar os ralos dos banheiros; e guardar a vasilha de água e de comida dos animais de estimação.



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