Federação Nacional dos Médicos: consumo da água do rio Doce pode provocar câncer

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A Federação Nacional dos Médicos (Fenam) alertou, em comunicado emitido nessa terça-feira (15), que o consumo e contato da população com a água do rio Doce, contaminada pelos rejeitos da mineração da Samarco/Vale-BHP, podem provocar câncer. Os efeitos à saúde, segundo a entidade, são a longo prazo, e podem gerar ainda doenças de pele, no aparelho digestivo e intestinal, e má formação de bebês.
A entidade está nesta quarta-feira (16) em Governador Valadares (MG), para conversar com as comunidades atingidas. O presidente da Fenam, Otto Baptista, afirma que os médicos também estão preocupados com os impactos psicológicos e emocionais causados às pessoas que perderam tudo com o rompimento da barragem em Mariana (MG).

A comitiva da Fenam, entidade que representa 400 mil médicos no País e 53 sindicatos, realizará ainda a coleta de amostras no rio Doce e no solo para análises físico-químicas e microbiológicas, que serão feitas pelo laboratório Água Terra, segundo a Federação, independente e especializado no assunto. No total serão recolhidas 10 amostras em uma extensão de 1.424 quilômetros, com divulgação dos resultados em três meses.

A preocupação em relação ao consumo da água decorre da presença de metais pesados no rio Doce. Embora entidades da sociedade civil alertem sobre os riscos à saúde, o poder público e as empresas, com a conivência da Justiça, insistem em propagar informações de que a qualidade água está própria para captação e distribuição. Alegam, para isso, o tratamento com acácia-negra, mas os índices de contaminação sequer seriam possíveis de tratamento.

Nessa terça-feira, o Grupo Independente de Análise de Impacto Ambiental (Giaia) apresentou suas primeiras análises da água, confirmando a presença de metais pesados no rio. Os resultados indicam níveis elevados de arsênio, manganês, chumbo, alumínio e ferro.

No caso do arsênio, a concentração é quatro vezes além do tolerável, de acordo a Portaria 2914/11, do Ministério da Saúde. A exposição prolongada a esse metal, presente na água e na comida, como alerta a Organização Mundial de Saúde (OMS), pode causar câncer, lesões na pele, problemas de desenvolvimento, doenças do coração, diabetes e danos ao sistema nervoso. A OMS considera o arsênio um dos dez químicos de grande preocupação para a saúde pública.

As análises do Giaia foram realizadas em dez pontos ao longo dos três principais cursos d’água atingidos pela lama entre Bento Rodrigues e Governador Valadares – Rio Gualaxo do Norte, Rio do Carmo e Rio Doce –, entre 4 e 8 de dezembro. Equipes do Grupo Independente permanecem em campo para novas análises. Os pesquisadores estão também em Regência, Linhares (norte do Estado), onde fica a foz do rio Roce. Na tradicional vila de pescadores, a lama encontrou o oceano, espalhando-se por praias da região, que estão interditadas.

Principal autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, apelou nessa terça por uma investigação profunda e imparcial do crime da Samarco/Vale-BHP. As Nações Unidas já se manifestam quatro vezes em relação à tragédia, todas com críticas às empresas e ao governo brasileiro.



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