Mais de 50 mil postos de empregos fechados no Espírito Santo

Carteira

Recorde de empresas baixadas, de desemprego e de inadimplência. Um male puxa o outro. As empresas que ainda resistem estão buscando cortar custos operacionais para se manter e isso, muitas vezes, quer dizer demissão. De janeiro de 2015 a janeiro de 2016, os últimos números consolidados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Governo Federal apontou que o Espírito Santo extinguiu 49.324 postos de trabalho formais.

O setor que mais demitiu no Estado foi o de serviços, seguido da Construção Civil e do comércio. O setor de serviços fechou 16.897 postos de trabalho, sobretudo nas áreas de serviços de alojamento, alimentação, reparação, manutenção, comércio e administração de imóveis e serviços técnicos, de acordo com dados do Caged. O cadastro ainda mostra que o setor de comércio fechou 10.523 postos de trabalho, sendo 4.009 na ocupação de vendedor de comércio varejista.

Segundo o presidente da Federação do Comércio do Espírito Santo (Fecomércio-ES) José Lino Sepulcri, na busca de reduzir os custos operacionais os estabelecimentos comerciais no Estado vêm diminuindo seus funcionários pela metade, e as áreas comerciais que mais vem sendo afetadas são a de vestuário, material de construção e até cosméticos.

“São muitas empresas desativando seus estabelecimentos comerciais e a grande maioria está enxugando custo operacional, despesas e isso acaba recaindo no quadro de funcionários. Muitos estão diminuindo empregados na ordem de 40%, 50%. Até o comércio de cosméticos vem sofrendo, pois na crise as pessoas estão esquecendo a beleza, deixando a vaidade. Muitos estão optando por trabalhar na informalidade, o que até então não admitiam”, afirma Sepulcri.

Já o presidente do Sindicato dos Comerciários do Espírito Santo (Sincomerciários-ES) Jackson Andrade disse que nos últimos 12 meses cerca de 30% das vagas existentes no comércio capixaba foram fechadas e que o sindicato discute com os patrões outras formas de cortar custos, que não a demissão de trabalhadores.

“Estamos discutindo com os empresários, para fazer uma redução de custos, inclusive uma redução nos seus ganhos, antes de decidirem fazer demissões. Eles despedem, mas custos e margem de lucros continuam os mesmos. Poderiam manter os companheiros no trabalho pelo menos até atravessar esta crise. Se não está tendo consumo, poderia deixar de abrir o estabelecimento no domingo, por exemplo, para cortar custos”, disse Jackson Andrade.

Ele informou ainda que os principais setores comerciais em que observou grande número de demitidos foi o de revenda de veículos e o de venda de materiais de construção. “Como o setor imobiliários e de construção civil também sofreu muitas perdas e problemas, isso afetou também a venda de materiais de construção, o que acarretou em demissões”, esclareceu.
Recorde de empresas fechadas em 15 anos
Pelo menos desde o ano 2000, quando a Junta Comercial do Espírito Santo (Jucees) começou a disponibilizar publicamente o registro da quantidade de empresas criadas e extintas no Estado o número de empresas baixadas não era tão alto. Em 2015, um total de 4.418 empresas foram fechadas, um recorde registrado. E, já em 2016, um novo recorde do mês de janeiro foi batido, com um total de 381 empresas fechadas.

A Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), atualmente responsável pela divulgação dos dados da Jucees, não disponibilizou os dados qualitativos de 2015. Até o mês de julho, os tipos de estabelecimentos que mais fecharam as portas foram o de comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios; lanchonetes, casas de chá, de sucos e similares; comércio varejista de produtos alimentícios (minimercados, mercearias e armazéns); restaurantes e similares e bares e outros estabelecimentos especializados em servir bebidas.

O presidente Sindicato dos Restaurantes, Bares e Similares do Espírito Santo (Sindbares) e da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abasel-ES) Wilson Vettorazzo Calil confirmou que os setores foram fortemente afetados pela crise, o que também acarretou em demissões.

“A crise pela qual o Brasil passa afeta todos os segmentos econômicos, inclusive a alimentação fora do lar. Para superá-la, nosso setor aposta em algumas estratégias, como a realização de festivais gastronômicos, que atraem o público para os estabelecimentos com promoções e inovações culinárias”, afirmou ele, citando os festivais Brasil Sabor, o Restaurant Week e o Roda de Boteco, que acontecerão no primeiro semestre, e a Feira de Sabores e o Festival Panela de Barro, previstos para o segundo semestre. “Nossa expectativa é de que 2016 será um ano difícil”, frisou.

Esperanças no turismo
No momento de crise, o setor de serviços capixaba, sobretudo a área de bares, restaurantes e hotéis, enxerga o incentivo ao turismo como uma das saídas para que o setor possa respirar. Segundo o presidente do Sindibares as esperanças do setor, estão no incentivo ao turismo de negócios e eventos e um dos principais pleitos é a construção do Centro de Convenções do Espírito Santo.

“Vai incluir o Estado no circuito dos grandes eventos nacionais, gerando mais emprego, renda e arrecadação para os capixabas”, almeja o presidente. Entretanto, a tendência é que a expectativa seja frustrada, já que o Centro de Convenções não está nas prioridades do Governo do Estado.

Já o presidente do Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores em hotéis, motéis, cozinha industrial, bares, restaurantes e similares do Espírito Santo (Sintrahoteis-ES) Odeildo Ribeiro, diz que a tragédia do rompimento das barragens da Samarco contribuiu para os indicadores ruins do setor e protesta contra a falta de políticas públicas de incentivo ao turismo no Espírito Santo.

“Nosso estado é maravilhoso, mas falta muita coisa para atrairmos turistas. Não existem política públicas para isto. Quando menos se espera, Praia de Camburi todinha interditada, Praia da Costa imprópria. Além do desastre da Samarco, que prejudicou o setor no norte. Isso assusta turista e gera desemprego. É muita incompetência administrativa”, disse Ribeiro.

A Secretaria de Estado de Turismo (Setur) não retornou demanda da reportagem questionando quais são as iniciativas e investimentos do governo para alavancar o turismo capixaba.



Publicidade


Outras Notícias


Novas suspeitas de obras superfaturadas em Presidente Kennedy

Santos Rodrigo e Salomão - Sacerdotes mártires

Veículo com marcas de tiros é encontrado abandonado em bairro de Cachoeiro

Soldados do Exército chegam à Cachoeiro e já atuam em pontos estratégicos

Sesa atualiza dados de febre amarela

ProUni: estudantes capixabas ganham mais prazo para apresentar documentos

Fespes vai denunciar Estado Brasileiro a entidades internacionais de direitos humanos pelo caos no ES

Procurador-geral da República vem ao Estado para dar aval à 'reforma da PM'

Governo abre processo contra 703 militares envolvidos em ‘revolta armada’

Famílias de militares seguem irredutíveis na porta dos batalhões

Nossa Senhora de Lourdes

São Miguel Febres - Padroeiro dos pedagogos

Atenção! Excesso de peso na mochila pode prejudicar saúde das crianças

Peritos aceleram liberação de cadáveres para receber mais corpos no DML

ARENA VERÃO 2017 COMEÇA NESTE FINAL DE SEMANA EM MARATAÍZES

D1 Notícias ©2010-2011. Todos direitos reservados.