Reduzir o consumo de carne é essencial para frear os principais problemas ambientais atuais

2016-08-19-proteinas-alem-da-carne

Já não é mais apenas “papo de vegetariano”. A partir do reconhecimento inquestionável da pecuária como responsável por mais de 60% dos gases de efeito estufa (GEEs) gerados pelo Brasil, cada vez mais instituições, veganas e não-veganas, reconhecem que reduzir o consumo de carne é a medida mais eficiente para reduzir drasticamente o aquecimento global.
Esta semana, as redes socais mostraram exaustivamente o choro da supermodelo Gisele Bündchen, ao constatar a agressividade com que a pecuária tem devorado a Amazônia brasileira. Convidada a participar de uma série sobre meio ambiente de um canal da National Geographic, Gisele voou em um pequeno avião sobre uma área desmatada, na companhia de um dos fundadores do Greenpeace Brasil, Paulo Adario.

A modelo chora quando, vendo a devastação, ouve a explicação do ambientalista, de que “tudo começa com os madeireiros ilegais, que abrem estradas e retiram árvores com alto valor comercial. Então, os pecuaristas chegam e queimam todas as outras árvores que restaram no local e abrem imensos pastos para colocar a criação de gado”.

Emocionar-se, indignar-se, revoltar-se, transformar-se. São reações muito comuns entre as pessoas que descobrem a causa da destruição da Amazônia.

Não se sabe o efeito que a experiência provocou na dieta da supermodelo, mas, no mundo inteiro, inclusive no Brasil, terra da feijoada e do churrasco e mesmo no sanguinário Estados Unidos, maior difusor da cultura carnista, milhares de pessoas têm reduzido ou mesmo retirado a carne, especialmente a bovina, de sua alimentação, não só por questões de saúde própria, mas também, ou principalmente, por compaixão à floresta.

Atitude endossada e recomendada pela Fundação Böll, ONG alemã que tem feito vários lançamentos, desde o final de setembro, da edição brasileira do “Atlas da Carne – Fatos e números sobre os animais que comemos”.

Sem nenhum vínculo com vegetarianismo, a entidade conclui que duas atitudes são essenciais para reduzir não só o aquecimento global, mas também a escassez de água, a fome, o deslocamento dos pequenos agricultores e os problemas sociais subsequentes, a perda de biodiversidade e a contaminação massiva do meio ambiente e das pessoas com agrotóxicos. E a orientação não se restringe à carne bovina, mas os estudos relacionam esses problemas diretamente com toda a produção de carne, incluindo aves, suínos e de outros animais menos visados, com búfalos e ovelhas.

No Espírito Santo, 29% do território é coberto por pastagens, e pelo menos 40% delas estão degradadas.

15 mil litros de água para cada quilo de carne

O livro lembra um dado já muito conhecido de vegetarianos e ambientalistas, que é o uso de 15 mil litros de água para a produção de cada quilo de carne bovina e detalha, em números e fatos, a pequena narração ouvida por Gisele no avião com Paulo Adario.

A publicação busca disseminar o máximo de informação quanto aos efeitos da produção de carne e às alternativas a esse modelo predador. Segundo o Atlas, se o consumo de carne continuar crescendo, em 2050 os agricultores e agricultoras terão que produzir 150 milhões de toneladas extra de carne, agravando os problemas.

O objetivo é “conscientizar e informar sobre essa cadeia global da carne, que é ampla e envolve outros setores além da produção de carne em si, como as redes de supermercados, o transporte”, conta Maureen Santos, coordenadora do Programa de Justiça Socioambiental da Fundação Böll e organizadora do Atlas.

“Na prática, a gente fala no Atlas que essa cadeia global é insustentável. Não tem como enxugar gelo achando que com essa cadeia você vai dar conta dos impactos”, dispara Maureen, desmascarando as propagandas de gado verde e gado sustentável. “Quando você vai ver, constata que não é bem assim. São animais que levam uma vida duríssima e curta em função do aumento de produtividade”, denuncia, citando ainda a alimentação à base de soja envenenada com agrotóxicos e que contraria seu instinto natural, de alimentar-se de capim e não de cereais, além de diversos outros componentes, ainda menos saudáveis, que integram as rações de engorda e crescimento.

Agropecuária insustentável

O setor agropecuário brasileiro emitiu 1,3 bilhão de toneladas brutas de CO² em 2015. Desse total, 900 milhões de toneladas se devem ao desmatamento, feito sobretudo para a agropecuária e os outros 430 milhões se deveram a emissões diretas.

Em carta enviada aos ministros José Sarney Filho (Meio Ambiente) e Blairo Maggi (Agricultura) na última quinta-feira (17), o Observatório do Clima – uma coalização de organizações da sociedade civil brasileira para discutir mudanças climáticas, surgida em 2001 – voltou a afirmar que “O setor rural brasileiro tem uma imensa responsabilidade sobre a contribuição brasileira para as emissões globais de gases de efeito estufa e, portanto, para o aquecimento global”.

A carta foi uma resposta do OC às declarações feitas por Blairo Maggi durante a 22ª Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas da ONU (COP-22), realizada em Marrakesh, no Marrocos, entre os dias 7 e 18 de novembro.

Manifestando surpresa e preocupação com o posicionamento do ministro, que tentou negar a responsabilidade do setor com o aquecimento global e fingiu não haver verba para os investimentos em adequação ambiental previstos em lei e assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris, o OC foi enfático: “Avanços na luta contra o desmatamento foram feitos na última década, o que deve ser reconhecido. Mas estamos muito longe de uma agropecuária sustentável”, diz a carta.

Consumidor coprodutor

De fato, no Atlas da Carne, os fatos e números ali organizados não deixam dúvida dessa insustentabilidade. A solução? “Voltar pro mercado local”, indica Maureen. “Por que consumir tanto? E da onde vem essa carne?”, questiona, destacando duas perguntas que o consumidor deve se fazer antes de escolher o que colocar dentro do próprio corpo.

A coordenadora do Programa de Justiça Socioambiental também lança luzes sobre a figura do coprodutor, uma espécie diferenciada de consumidor, que tem crescido muito na Europa e nos Estados Unidos e já pode ser reconhecida também no Brasil e no Espírito Santo, especialmente entre os frequentadores de feiras orgânicas.

É aquele consumidor que dialoga, sugere, reivindica, vai na propriedade rural, se aproxima e contribui com o agricultor. Ele também ajuda a garantir a compra da produção, dando uma segurança financeira maior para o produtor. “Precisamos de agroecológicas não só por parte do agricultor, mas também do consumidor”, afirma.



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