Febre amarela já pode ter vitimado mais de mil macacos no Espírito Santo

Macaca

Sentinelas e “guardiães” dos humanos no tocante ao surto de febre amarela, os macacos estão sendo dizimados no Espírito Santo. Os dados oficiais falam em torno de cem mortes, o que deve representar, no máximo, 10% do número real.
“A grande maioria dos primatas que morrem jamais são descobertos por nós”, admite o primatólogo e professor de zoologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Sérgio Lucena Mendes. Estamos falando, portanto, de mais de mil indivíduos mortos em poucos dias de uma espécie já ameaçada de extinção segundo as “listas vermelhas” estadual, nacional e mundial.

Os barbados ou bugios (Allouatta), principais vítimas da atual epidemia de febre amarela silvestre no leste de Minas Gerais e Espírito Santo, são possivelmente a espécie mais vulnerável ao vírus, entre todas as espécies de macacos que, por sua vez, possuem taxa de mortalidade muito maior que a de humanos (90% e 50%, respectivamente, segundo divulgado pelo jornal O Eco.

Se em 2009 uma epidemia de febre amarela no Rio Grande do Sul matou pelo menos 80% dos barbados na região, essa de 2017 já aniquilou praticamente a população da espécie em Caratinga/MG.

População de barbados aniquilada em Caratinga

Mendes conta que os pesquisadores estão no momento na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Feliciano Abdala, onde vive uma das maiores populações de muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) e a mais estudada, para avaliar os possíveis impactos da epidemia sobre eles, que são considerados um dos macacos mais ameaçados de extinção em todo o mundo. Até o momento apenas um muriqui foi encontrado morto pela equipe.

“Se morrem 80% dos indivíduos numa área grande, ainda é possível restabelecer a população. Mas uma população pequena, num pequeno fragmento isolado, pode ser extinta localmente. O fato de vivermos numa região de florestas extremamente fragmentadas agrava as consequências do surto”, avalia o professor.

Outra espécie que desperta muita preocupação é o sagui-da-cara-amarela, que vive exclusivamente exatamente na região do surto, o leste de Minas Gerais e as regiões serranas do Espírito Santo. Além do endemismo da espécie e sua população reduzida, ele é um macaco de porte pequeno, que, ao morrer, dificilmente é encontrado na floresta.

Sobre o sagui-da-cara-branca encontrado morto na Ilha do Frade esta semana, Mendes acha pouco provável que a causa da morte seja a febre amarela. “Acredito que é mera coincidência. Esses saguis são contaminados por vírus urbanos, como o da herpes, que para eles é fatal. Já houve epidemias no campus da Ufes e na mata do Convento da Penha em outras ocasiões”, relata.

Equilíbrio ambiental é questão de saúde pública

Questionado sobre o que fazer para proteger os macacos, Mendes respondeu que, infelizmente, não há muito o que fazer. “No momento do surto não há o que fazer. “Apenas monitorar quais espécies estão sendo atingidas, de que faixa etária, que regiões, precisa entender a demografia desse processo pra estabelecer medidas de conservação”, afirma Mendes.

O professor pede que a população ajude, informando quando encontrar macacos mortos. O Projeto Muriqui, coordenado por ele, disponibiliza um telefone para isso e está trabalhando em conjunto com a Sesa. “O macaco é um sentinela. São as maiores vítimas”. Para informar ao Projeto Muriqui sobre macacos mortos, ligue para (27) 99630-2837

A extinção ou quase extinção de uma espécie, dentro de uma floresta, provoca impactos negativos imensos, tornando ainda mais fragilizado o equilíbrio ecológico daquele remanescente, com inúmeras consequências, sejam climáticas, hídricas ou mesmo de saúde pública, como provam todas as epidemias de febre amarela, decorrentes, sempre, de um desequilíbrio ambiental agudo.

Vacinação no Espírito Santo precisa ser mais ampla

Essa relação entre saúde humana e conservação da biodiversidade foi bastante enfatizada durante um painel interdisciplinar promovido pela Fundação Renova nas últimas quinta e sexta feiras (19 e 20) em Belo Horizonte. “Biodiversidade faz bem à saúde”, afirmaram pesquisadores ainda no primeiro dia do evento.

Preocupada com a repercussão das suspeitas da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), divulgadas na imprensa esta semana, sobre a relação entre o crime da Samarco-Vale-BHP e o surto de febre amarela ao longo do Rio Doce e também no Caparaó, a Fundação, patrocinada pelas empresas para realizar os programas de compensação e restauração socioambiental e socioeconômica das regiões atingidas pelo crime, se cercou imediatamente de especialistas para discutir o tema.

No mesmo dia do evento da Renova, o médico Maurício Lacerda Nogueira, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, afirmou ao jornal O Globo que o Espírito Santo é o estado mais vulnerável à febre amarela, devido à baixa cobertura vacinal, histórica, nas regiões que estão hoje no epicentro do surto e em todo o estado.

Diferentemente do que tem afirmado a Sesa, o virologista recomenda que a vacinação seja maciça não só regiões já afetadas, mas em todo o estado. “As áreas do litoral estão fora da área de recomendação da vacina. Acontece que a doença está em expansão. E Minas mostra que mesmo em áreas onde há recomendação de vacinação e vacinas em postos, muitas vezes as pessoas não se vacinam. É preciso fazer uma ampla vacinação”, afirmou o médico ao jornal.



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